Leiam e sintam-se a vontade para expressar o que acham.
"Fico entristecido quando vejo discussões na lista motivadas pela defesa de pontos de vista pessoais quanto a aspectos MERAMENTE ACESSÓRIOS da Wicca. O tamanho de um athame, o material de seu bastão, a cor das vestes rituais (Ah! Isso dói...), Roda do Sul ou do Norte - isso são temas que serão eternamente revisitados, O QUE É SAUDÁVEL, POIS NINGUÉM É DONO DA VERDADE. Deve-se discutir tais temas, porém, com a mente livre de quaisquer doutrinamentos.
Afirmar que "é assim, tem que ser assim, por que comigo (ou no meu círculo) é assim" é derrubar todos os preceitos básicos da Wicca. Ok, também não pode haver um excesso de liberdade, para que haja coerência.
Mas afinal, quais são os preceitos básicos da Wicca? Semanas atrás, a Marcia descreveu muito bem, como de costume, o que deveria caracterizar um Wiccano. Mas nós sabemos que existem inúmeras, infindáveis tradições Wiccanas diferentes, muitas delas oferecendo conjuntos de crenças diferentes, por vezes contrárias entre si. Todas elas cultuam os Divinos Feminino e Masculino, todas elas se integram aos ciclos da natureza, mas variam nos detalhes.
Por que? Porque existe a noção de liberdade - e essa liberdade funciona assim: se respeito esses preceitos básicos, eu posso celebrar um ritual nu ou trajando uma túnica de algodão puro, ou ainda uma capa de seda roxa com pedras preciosas incrustadas... posso abrir o círculo começando pelo norte, ou pelo leste, ou ainda pelo Sul-sudoeste... Posso traçar o círculo mágico com um athame de prata importado, ou com uma faca inox de pesca, ou com a saudosa faquinha de Bolo Pullmann... Posso celebrar a Roda do Ano de acordo com o Hemisfério Norte, ou o Hemisfério Sul ou ainda a Roda da Linha do Equador, ou a Roda Quadrada, ou a Quadra Rodada, ou o Triângulo do Sapo Leitoso... o que importa? Para quem isso é importante?
Afinal, por que celebramos a Roda do Ano? Não é a Roda um método de contato com as energias da Natureza, com os Divinos Masculino e Feminino? Não é um modo de conhecermos e honrarmos os Deuses da Terra?
E acaso esses deuses vão se ofender, vão nos punir se fizermos deste ou daquele modo? Não creio. Creio sim que eles se emocionem, se engrandeçam, com a nossa simples lembrança, com nosso amor por eles - amor sincero. Amor autêntico, daqueles que vêm de dentro mesmo, rasgando tudo. Para mim, a sensação de cultuar os deuses antigos é igualzinho àquele arrebatamento que sentimos ao ver, ao lembrar, ao falar da pessoa que amamos. Sabe aquele pueril friozinho na barriga que dá quando vemos a pessoa de que gostamos? Então, os deuses para mim são assim!
Acho que o grande erro é fazer por fazer. Digo e repito que os rituais são como sexo (e afinal, temos lá o grande rito, não é?) - Alguém já tentou transar sem sentir tesão? (Dizem que as mulheres até conseguem fingir - mas eu sempre achei que deve ser uma m... de situação...) Se não houver tesão pelo ritual, não vai rolar! Imaginem transar pensando que o lençol tá amarrotando, ou que o cabelo tem que ficar penteado, ou que o suor pode desfazer sua maquiagem... Mesma coisa num ritual. Se a pessoa estiver mais preocupada com a "liturgia", com a cor disto ou daquilo, com o tamanho disto ou daquilo, com a direção disto ou daquilo, não vai rolar!!!! A parte fundamental da estória toda é: ame os deuses! Reconheça o Divino na Vida! Celebre os deuses e a Vida, não só nos rituais, mas em cada dia, a cada momento de sua vida!!! O resto é resto..."
Pra quem gostou e quiser entrar em contato com o autor do texto, o e mail dele é esse: claudiocrow@uol.com.br
Que a reflexão dos dias escuros acenda a luz de nossas mentes!
